Abordagem
Por onde eu começo
Algumas perguntas nunca me largaram: quem sou, onde estou, de onde vim, qual é o meu papel aqui, para onde vou.
De onde vêm as minhas perguntas
Dessas perguntas nasceram outras, mais concretas, e são elas que me trouxeram até aqui.
Qual é a importância da alimentação naquilo que sou? Qual é o poder do som e da música na vida humana? O que a tecnologia e a ciência podem fazer para ajudar nesse processo?
Levei essas inquietações para a Psicologia. Formei-me em 2002 e, desde então, venho tentando respondê-las cientificamente. Foi na Psicologia Concreta que encontrei o lugar onde elas cabem inteiras.
O que me incomoda
Cheguei a uma conclusão simples: o autoconhecimento é a porta de acesso a todo o resto. Quem se conhece pode se administrar — e, diante do que é adverso, pode reagir em vez de apenas suportar.
Só que a Psicologia, na maior parte das vezes, não fala disso. E há uma razão: ela costuma trabalhar com um ser humano partido. De um lado o corpo, de outro a mente. De um lado a pessoa, de outro o ambiente em que ela vive.
Aí está o meu incômodo. Como alguém vai se conhecer inteiro, se foi dividido em pedaços antes mesmo de começar?
O ser humano é um todo indivisível, integrado a uma totalidade maior, que é o ambiente. Falar em saúde mental, apartada das outras, é estranho quando o que precisamos é de saúde integrativa: física, psíquica, social, cultural, histórica e ambiental.
Ninguém vive sem se alimentar
E na promoção da saúde integral, o que é essencial? Alimentar-se.
Mas alimentação, para o ser humano, é só comida?
Nós nos alimentamos de comida, sim. E também do que ouvimos, do que assistimos, de quem convivemos, do lugar onde dormimos, dos ambientes que atravessamos todos os dias. Tudo isso entra. Tudo isso constrói.
O som tem aí um lugar que quase sempre passa despercebido. Foi ouvindo o nosso próprio nome ser pronunciado que o aprendemos — e foi por essa porta que começamos a descobrir quem somos. Antes de qualquer palavra que a gente diga, houve som dirigido a nós. O som não acompanha a vida humana: ele é uma das condições dela.
É por aí que eu entro.
Por onde eu começo
Diante de um problema, a primeira pergunta que me interessa não é o que a pessoa sente. É como ela vive.
Como se alimenta. Como dorme. Com quem convive. O que anda ouvindo. O que tem assistido. Que ambientes atravessa. O quanto se conhece.
O que se sente importa, e muito — mas o sentimento é a ponta do processo, não o começo. Quando as condições aparecem, o sentimento passa a fazer sentido.
Por isso não pratico o diagnosticismo. Não me interessa colocar um rótulo de adoecimento sobre alguém quando o que está acontecendo é sistêmico e envolve o corpo, a história, os vínculos e o ambiente ao mesmo tempo. O que me interessa é a avaliação das condições biopsicossociais concretas. É dali que sai alguma coisa que se possa fazer.
Por que eu construo ferramentas
Autoconhecimento não é algo que se recebe pronto das mãos de alguém. É algo que se pratica.
Por isso construo ferramentas: aplicativos livres e gratuitos com que a pessoa possa observar a própria vida, registrar o que faz, perceber padrões e assumir a própria administração. Tecnologia a serviço da produção de saúde, sob critério científico.
Escrever é necessário — é o que traz alguém até aqui. Mas o texto para na compreensão. A ferramenta continua depois: é onde está o que a pessoa faz.
Psicólogo Romero Marcius CRP 04/21500
Natural Pulse · Divinópolis, Minas Gerais